domingo, 5 de julho de 2020

Por quê decaiu a Idade Média?


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No século XIV começa a observar-se, na Europa cristã, uma transformação de mentalidade que ao longo do século XV cresce cada vez mais em nitidez.

O apetite dos prazeres terrenos se vai transformando em ânsia.

As diversões se vão tornando mais freqüentes e mais suntuosas. Os homens se preocupam sempre mais com elas.

Nos trajes, nas maneiras, na linguagem, na literatura e na arte o anelo crescente por uma vida cheia de deleites da fantasia e dos sentidos vai produzindo progressivas manifestações de sensualidade e moleza.

Há um paulatino deperecimento da seriedade e da austeridade dos antigos tempos. Tudo tende ao risonho, ao gracioso, ao festivo.

domingo, 28 de junho de 2020

O Mont Saint-Michel em seu sacral e sublime isolamento


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O monte Saint-Michel na Idade Média era chamado Saint-Michel du Mont du Péril: São Miguel do Monte do Perigo.

Sua agulha toca o Céu.

Rodeiam-na areias movediças e marés furiosas que sobem metros e em instantes engolem os viajantes.

O mosteiro era tido residência do próprio São Miguel Arcanjo.

domingo, 21 de junho de 2020

São Domingos fundou a Inquisição?


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Um conhecido escritor agnóstico dizia que as cruzadas contra os albigenses e o extermínio dos focos heréticos no sul da França atrasaram de alguns séculos o advento do humanismo renascentista e da nova ordem de coisas que seria instaurada no mundo.

Maior elogio não poderia ser feito àqueles que, como São Domingos, contribuíram para livrar a Cristandade daquele flagelo.

É oportuno lembrar um aspecto frequentemente deformado da personalidade do fundador da Ordem dos Pregadores, em cujos membros, ao aprovar a nova regra, o Papa Honório III, em palavras proféticas, entreviu "futuros atletas da fé e verdadeiros luzeiros do mundo".

Queremos nos referir ao aspecto combativo da vida desse insigne santo e ao apoio dado por ele e por seus filhos à Santa Sé na repressão das heresias, pois se acha neste concurso prestado pelo piedoso apóstolo do Rosário à defesa da Verdade a principal origem das incompreensões e das injustiças que sofre por parte de muitos de seus inimigos.

domingo, 7 de junho de 2020

A espada: símbolo de heroísmo e pompa

Espada de Sancho IV de Castela, 1295
Espada de Sancho IV de Castela, 1295
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Hoje em dia a espada está completamente superada como arma de guerra, e nem pode entrar em cogitação a ideia de afiar uma espada para entrar em combate.

Atualmente ela não é arma de guerra nem para a agressão nem para a defesa.

Pode-se dizer que está praticamente cancelada da lista dos armamentos modernos.

Entretanto, apesar desse fato, em todos os exércitos dos países civilizados os oficiais a trazem consigo nas ocasiões de grande solenidade.

Numa época em que o desaparecimento da espada como arma chega ao seu auge, como símbolo ela ainda é tal, que não se compreende um oficial sem a sua espada.

Por outro lado, em vários países existem Academias de Letras nas quais se usam fardões, e os acadêmicos, nas ocasiões de pompa, portam a espada.

No momento em que o literato chega ao auge de sua glória e é proclamado "imortal" -- da mais mortal das imortalidades -- não lhe dão uma grande pena para usá-la como simbólico adorno, pois ficaria uma tralha ridícula. Ele sente-se inibido se não tiver uma espada. De maneira que o literato envergando o fardão, usa a espada.

domingo, 31 de maio de 2020

Templários: fé, prudência e bravura
ensinadas por São Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval. Santuário de Lourdes
São Bernardo de Claraval. Santuário de Lourdes
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O grande paladino de Nossa Senhora, São Bernardo abade de Claraval, falou sobre a vida que devem levar aqueles que combatem por Jesus Cristo, com estas palavras:

“Quando se aproxima a hora do combate, armam-se de fé os cavaleiros, abrem-se a Deus em sua alma e cobrem-se, por fora, de ferro, não de ouro, a fim de que assim sejam bem apercebidos de armas, não adornados com joias, infundam medo e pavor aos seus inimigos, sem excitar sua cobiça.”

Aqui a gente vê a prudência do santo. No tempo da guerra medieval muitos cavaleiros tomados por um certo mundanismo que invadia o ambiente da Cavalaria, gostavam de se apresentar com couraças de ouro ou prata, recamadas de pedras preciosas.

Agora, acontece que o ouro e a prata oferecem ao adversário um obstáculo muito menos forte do que o ferro.

domingo, 24 de maio de 2020

Super-combatividade e confiança em Nossa Senhora: virtudes do Cavaleiro Templário segundo São Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval, Heiligenkreuz, Austria, ©Georges Jansoone
São Bernardo, abade de Claraval, Heiligenkreuz, Áustria
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






São Bernardo instituiu a regra da Ordem dos Cavaleiros Templários.

Era uma ordem militar de cavaleiros religiosos, com tríplice voto: da pobreza, da castidade e da obediência. Eles viviam no estado militar para a luta contra os infiéis.

São Bernardo então deu-lhes uma teoria da combatividade:

“E assim os cavaleiros carregam como um torvelinho sobre seus adversários, como se se metessem entre um rebanho de cordeiros, sem que, apesar de seu exíguo número, se intimidem ante crudelíssima barbárie e a multidão quase infinita das hostes contrárias.

“Aprenderam já a pôr toda a sua confiança não nas próprias forças, mas no poder do Senhor Deus dos exércitos, em que está a vitória, O qual pode, como sabemos por meio dos Macabeus, pode facilmente por meio de um punhado de valentes, acabar com multidões numerosas.

“E sabe libertar a seus soldados com igual arte das mãos de poucos como de muitos inimigos, porque não está o triunfo na multidão de guerreiro, mas na fortaleza para vencer, que desce do alto”.

domingo, 17 de maio de 2020

Santa Sé absolveu os Templários, ordem que está nas origens do Brasil


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A Santa Sé anunciou a publicação de um documento pontifício que absolve a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou Templários, dos cargos que lhe foram imputados.

Esta ordem militar de cavalaria foi fundada em Jerusalém em 1118, nos tempos das Cruzadas, por Hugo de Payens e Geoffroy de Saint-Omer e companheiros.

Ela protegia os peregrinos que iam a Terra Santa.

domingo, 10 de maio de 2020

Tratado médico medieval inspira combate às epidemias

Atenção aos enfermos na Idade Média
Atendimento dos enfermos na Idade Média
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Os princípios gerais de combate às epidemias foram elaborados na Idade Média, como bem demonstra o Regimento de preservação da pestilência, do século XIV.

Ele compendia medidas, remédios e tratamentos para prevenir o contágio que estão sendo utilizados hoje na luta contra o coronavírus.

Esse tratado foi composto pelo mestre em Arts i Medicina Jaime d’Agramont, catedrático de Medicina da Universidade Estudi General de Lérida, em face da violenta epidemia chamada Peste Negra, lembrou o jornal “La Vanguardia”, reproduzido por “Clarín”.

domingo, 3 de maio de 2020

Simbolismo medieval da nave:
Arca da Salvação, maternidade da Igreja


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O nártex (vestíbulo sob o coro) logo na entrada da igreja é o primeiro espaço sagrado da casa de Deus.

Também é conhecido como galilé, porque dali parte a procissão que, no início da Missa, dirige-se até o altar, simbolizando a jornada de Cristo desde a Galiléia até Jerusalém, rumo ao sacrifício do Calvário.

No nártex, a água benta lembra o batismo, a necessidade do perdão dos pecados, e tem efeito exorcístico sobre o demônio e as tentações.

A nave encarna a “Arca de Salvação”.

A Igreja, Ela própria, é essa arca, a Barca de Pedro.

Simboliza também o seio materno, pois a Igreja gera as almas para o Céu.

domingo, 26 de abril de 2020

Idade Média: floresta repleta de símbolos


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Para a Idade Média o universo era um livro imenso, escrito pela própria mão de Deus, onde cada ser era uma palavra cheia de significado.

Para o medieval o ignorante apenas olha e vê figuras para se instruir.

O sábio se eleva das coisas visíveis às invisíveis.

Na natureza ele lê o pensamento de Deus.

A ciência não consistia então em estudar as coisas em si mesmas, mas em penetrar os ensinamentos que Deus nelas pôs para nós homens.

sábado, 11 de abril de 2020

Domingo de Ressurreição, esperança de restauração da Civillização

Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta. Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta.
Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Como terá sido esse encontro?

Ele pode ter aparecido como Senhor esplendoroso,

Rei, como nunca ninguém foi nem será rei.

Ou, com um sorriso que lembrava o primeiro olhar no presépio de Belém.

O que Ele comunicou a Ela?

O que Nossa Senhora terá dito, vendo-O e amando-O perfeitamente?

Foi o primeiro louvor que Jesus recebeu após a Ressurreição, feito em nome da Igreja toda.

domingo, 5 de abril de 2020

Símbolos dos Papas tomaram forma final na Idade Média

Tiara do Beato Pio IX, doada pela Bélgica
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A tiara, também conhecida como “triregno” (literalmente tríplice reinado) é a coroa própria dos Papas.

Ela está composta de três coroas e leva no topo um globo com a cruz.

É uma coroa única no mundo. E tomou sua forma praticamente definitiva durante a Idade Média.

Coroas semelhantes à tiara já foram usadas na Antiguidade, inclusive por egípcios, partos, armênios e frigios.

A origem mais remota dela está no Antigo Testamento. Deus disse a Moisés:

“Farás também uma lâmina do mais puro ouro, na qual farás abrir por mão de gravador: ‘Santidade ao Senhor’. E atá-la-ás com uma fita de jacinto e estará sobre a tiara, iminente à testa do pontífice. E Arão levará sobre si. E sempre esta lâmina estará sobre a sua testa para que o Senhor lhe seja propício” (Ex, 28, 36-37).

Aarão, irmão de Moisés é o arquétipo de Sumo Sacerdote e prefigura os Papas instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo na pessoa de São Pedro, e continuado por seus sucessores de Roma.

O Papa Sérgio III (904-911) fez cunhar moedas com a imagem de São Pedro com tiara.

Na basílica inferior de São Clemente, em Roma, um fresco do fim do século XI apresenta o Papa Adriano II (867-872) com a tiara.

A primeira coroa da tiara reúne simbolicamente a jurisdição eclesiástica do Papa e a coroa do governo temporal sobre os feudos pontifícios.

domingo, 29 de março de 2020

Símbolos Papais requintados na Idade Média

Anel do Pescador que foi de Bento XVI.
Anel do Pescador que foi de Bento XVI.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No post “Símbolos dos Papas tomaram forma final na Idade Média”, apresentamos a contribuição que a “Doce primavera da Fé” deu para a criação ou definição de certas insígnias dos Papas.

Essas insígnias não correspondem a uma época, mas a todas as épocas e provêm de ensinamentos evangélicos ou da Tradição da Igreja.

Neste post trataremos de outras insígnias e da parte que a Era Medieval teve em sua elaboração.

O Anel do Pescador é dos mais importantes símbolos. Consiste num anel de ouro no qual está gravada a Barca de Pedro, símbolo da Igreja, e em volta, o nome do Papa que o está usando.

A primeira menção documentada ao Anel está contida numa carta do Papa Clemente IV de 1265. Nela, o Pontífice dizia que era costume dos sucessores de Pedro muito anteriores a ele, manter sigilosas suas cartas.

Veja mais em: Símbolos dos Papas que tomaram forma final na Idade Média

Isto se fazia através de um pouco de cera quente no fim do texto ou para fechar o envelope. O Papa aplicava então o Anel, que deixava cunhado seu nome e a Barca.

domingo, 22 de março de 2020

Avança um castelo medieval do século XXI

Guédelon poucos anos atrás
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








No fundo de uma floresta do centro da França um inusual experiência arquitetônica já antevê a terminação de um castelo construído com técnicas medievais, sem concessão a instrumentos modernos, noticiou a BBC.

As torres do castelo de Guédelon iniciado em 1998 na Borgonha superaram os 15 metros de altura.

Nos bosques, lenhadores abatem as árvores que serão empregadas.

O cimento é desconhecido e mestres pedreiros lapidam as pedras.

domingo, 15 de março de 2020

Abadia milenar de Solesmes, uma arca de salvação

A vida na solidão acompanhado por Deus
A vida na solidão acompanhado por Deus
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Às cinco da manhã ainda está escuro no verão e no inverno faz muito frio.

A cidade toda de Solesmes dorme bem arroupada enquanto o velho sininho da abadia se põe a repicar com sua milenar nota.

Os monges estão sendo convocados a cantar a primeira Hora do dia.

Silhuetas silenciosas se encaminham para a igreja fazendo deslizar seus hábitos pretos sobre o chão de pedra.

De ali a pouco suas vozes entoam as antífonas, leituras e salmos à glória dAquele que os convocou ali.

“Qui bene cantat, bis orat” (“Quem canta bem, reza duas vezes”) ensinou Santo Agostinho.

Em Solesmes os monges cantam sete vezes por dia, trinta e cinco horas por semana, explica o Pe. Paul-Alain.

O brilho do olhar dos monges percebe-se a plenitude do gáudio sobrenatural que enche suas almas.

domingo, 8 de março de 2020

Cluny deu ao mundo uma civilização superior

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Continuação do post anterior: O eco da glória de Cluny superou o milênio




Por causa dos monges de Cluny, os filhos da França, em terra da França, elaboraram o ideal de uma civilização superior, continuou o acadêmico René Bazin.

Cluny foi uma grande escola de arte e de artistas. Certamente essa não foi a finalidade primeira da Ordem que visava fazer santos.

Mas como a perfeição ordena cultivar todo movimento nobre, São Bento, escrevendo sua Regra já o tinha previsto.

domingo, 1 de março de 2020

O eco da glória de Cluny superou o milênio


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Por volta de setembro do ano 910, quando reinava na França Carlos III o Simples, portanto no início do feudalismo, deu-se um evento cuja lembrança 1100 anos depois congregou a nata da intelectualidade francesa e mundial.

Objetivo: testemunhar gratidão pela criação da Ordem de Cluny, ramo beneditino, que pela sua grandeza foi chamada também de “Igreja de Cluny”.

O escritor René Bazin foi encarregado pela famosa Académie Française de pronunciar o elogio por ocasião do cumprimento do milenário da maior e mais requintada das abadias que já houve.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Santo Tomás de Aquino entrega sua alma a Deus com um ato de fidelidade e submissão à Santa Igreja

São Tomás de Aquino esmaga os heréticos, Benozzo Gozzoli
Santo Tomás de Aquino esmaga os heréticos, Benozzo Gozzoli
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O santo faleceu a 7 de março 1274 no convento cisterciense de Fossanova, Itália, onde parou para se recuperar de um acidente sofrido durante viagem para o Concílio de Lyon.

No livro intitulado “S. Tommaso d’Aquino”, lemos os seguintes dados relativos aos últimos momentos do Doutor Angélico.

“Devido à fraqueza que o dominava, não podia mais acompanhar a comunidade nos ofícios religiosos na capela. Pediu ardentemente para receber o Viático e a comunhão”.

“O Santo Viático foi-lhe ministrado solenemente a 4 ou 5 de março. O próprio abade levou a comunhão ao quarto do enfermo.

“Ao redor, estavam, de joelhos, os religiosos do mosteiro e um bom número de frades menores (franciscanos), os quais, na maioria, pertenciam ao séquito do bispo Francisco de Terrafina, também presente nessa circunstância.

“E, finalmente, muitos frades pregadores (dominicanos), que, à notícia da doença do mestre Tomás, acorreram dos conventos vizinhos de Agnani e Gaeta.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

São Tomás:a finalidade e a ordem do Universo:
quinta via para concluir que Deus existe

Esfera celeste, Cambridge, Harvard University,
Houghton Library, MS Typ 007
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








QUINTA VIA: A FINALIDADE E A ORDEM DO UNIVERSO

Tudo o que existe tem uma finalidade. Inclusive as coisas que não tem inteligência agem visando um fim.

E todas essas coisas agem com uma harmonia de fundo: por exemplo os insondáveis e admiráveis equilíbrios que permitem a existência da vida na Terra.

Logo há uma causa que governa todos esses fatores para que possam atingir harmonicamente o equilíbrio final.

Essa causa chama-se Deus.

Assim, o demonstra São Tomás na “Suma Teológica” (I 2,3):

“A quinta via é tomada do governo do mundo.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

São Tomás: a quarta via que prova Deus existir é a da perfeição dos seres

S.Tomás de Aquino (entre Platão e Aristóteles)
esmaga Averroes. Benozzo Gozzoli.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






QUARTA VIA: OS DIFERENTES GRAUS DE PERFEIÇÃO

Vemos que todas as coisas possuem qualidades: beleza, cor, doçura, etc.

E vemos que é necessário que haja em algum lugar algum ser que possua essas qualidades na perfeição.

Procuramos o quadro perfeito, a rosa perfeita, a bebida perfeita, o amigo perfeito, etc.

Esse ser perfeito é uma necessidade. E o ser supremamente perfeito que tem em si todas as qualidades é Deus.

Explica São Tomás (“Suma Teológica”, I 2,3):

“A quarta via considera os graus de perfeição que há nos seres.

“Vemos nos outros seres que uns são mais ou menos bons, verdadeiros e nobres do que outros, e o mesmo acontece com as diferentes qualidades.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

São Tomás: a terceira via para demonstrar que Deus existe

No Juízo Final, rosácea do Apocalipse, Notre Dame de Paris
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






TERCEIRA VIA: A CONTINGÊNCIA DOS SERES

Os seres que vemos são limitados ‒ contingentes ‒ inclusive no tempo e acabam morrendo e se desfazendo.

Portanto todos os seres que vemos não existem desde sempre e um dia vão deixar de existir.

E portanto houve um momento em que nada existiu.

Se nada existiu, alguém criou.

Esse alguém deve estar desprovido de toda contingência, vive desde sempre e nunca morrerá: é eterno.

Esse ser necessário para que qualquer coisa exista, causa de todos os seres contingentes, é Deus.

Assim ensina São Tomás (“Suma Teológica”, I 2,3):

“A terceira via considera o ser possível ou contingente e o necessário, e pode formular-se assim:

domingo, 26 de janeiro de 2020

São Tomás: segunda via por onde se demonstra a existência de Deus

Deus Pai, Gar 09, 4v
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






SEGUNDA VIA: A CAUSALIDADE EFICIENTE

Uma estátua, ou uma ponte, por exemplo não se fazem sozinhas.

Alguém as fez: o escultor ou o engenheiro. Esses são a causa eficiente da estátua ou da ponte.

Eficiente = que faz, como o pai é a causa eficiente do seu filho. Nada aparece por magia.

E quem fez ao escultor, o engenheiro ou o pai do exemplo acima?

Procurando logicamente achamos alguém ou algo que foi o primeiro a fazer algo ou alguns. Essa causa eficiente primeira é Deus.

Assim explica São Tomás de Aquino (“Suma Teológica”, I 2,3):

“Vemos que no mundo do sensível há uma determinada ordem entre as causas eficientes; mas não achamos e não é possível achar alguma coisa que seja sua própria causa, pois em tal caso teria que ser anterior a si mesma, e isto é impossível.

“Ora bem: também não se pode prolongar de modo indefinido a série das causas eficientes, porque, em todas as causas eficientes subordinadas, a primeira é causa da intermediária e esta é causa da última, sejam poucas ou muitas as intermediárias.

domingo, 19 de janeiro de 2020

São Tomas de Aquino: primeira via para demonstrar racionalmente a existência de Deus

A Idade Média sistematizou as vias para provar a existência de Deus
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Nós encontramos nas Sagradas Escrituras provas divinas da existência de Deus: é Deus se revelando a Si próprio.

Os Apóstolos, Padres e Doutores da Igreja demonstraram sua existência das mais variadas e admiráveis formas, com ciência, sabedoria e eloquência.

E isto sem falarmos da sublime luminosidade do Evangelho em que a divindade de Jesus Cristo patenteia-se, por assim dizer em cada palavra inspirada, na sua Vida e Morte, nos seus ensinamentos, conselhos e exemplos.

Entretanto, coube a grandes santos medievais a sistematização das várias vertentes, ou vias, por onde se prova a existência de Deus com evidência como que matemática .

Esta forma de provar é especialmente útil nos nossos dias. Pois há uma certa asneira moderna que gostaria reduzir a Fé a um mero sentimento subjetivo, e a piedade a uma dulçurosa experiência.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Notre-Dame será reconstruída tal como era

Notre Dame de Paris.
Fundo: Grande Cruz das Três Ordens Militares (Cristo, Santiago, Avis)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A “Bíblia de Pedra” que é a catedral de Notre-Dame de Paris, durante oito séculos resistiu a toda espécie de guerras, revoluções e intempéries.

Mas esteve a ponto de ruir no incêndio do telhado e da agulha em 15 de abril de 2019, deixando o mundo estupefato.

A catástrofe simbolizou a grave crise que devora a própria Igreja Católica que essa legendária catedral representa.

O resgate quase milagroso do Santíssimo Sacramento e das mais preciosas relíquias da catedral, como a Coroa de Espinhos e a túnica de São Luís, soou como uma promessa da restauração católica depois da infernal “penetração da fumaça de Satanás no templo”, tantas vezes rememorada.

Mas as ruínas fumegantes da catedral foram alvo de polêmica.

sábado, 7 de dezembro de 2019

Imaculada Conceição: privilégio de Nossa Senhora pelo qual heróis medievais deram a vida


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Quanto mais nós admiramos uma pessoa, mais nós devemos amá-la.

E quanto mais nós a amamos, mais nós devemos ser propensos a admirar as qualidades que Ela tem.

Por causa disso, nos veneramos Nossa Senhora como Mãe ao mesmo tempo sumamente amável e sumamente admirável.

Nossa Senhora aparece fazendo-se admirar pelo título que Ela proclama.

Ela disse a Santa Bernadette Soubirous: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Quer dizer, uma criatura que está numa condição inteiramente superior a todas as outras.

Porque concebida sem pecado original e gozando de uma predileção toda especial de Deus.

De outro lado, Ela pratica milagres dos mais estupendos, numa continuidade e numa importância sem igual história da igreja. E isto é porque Ela quer.

Então Ela se apresenta muito à nossa admiração.