domingo, 25 de outubro de 2020

Idade Média: modelo para imitar, mas não para copiar servilmente

Coroa da rainha Maria, século XIX
Coroa da rainha Maria, século XIX

Luis Dufaur
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Qual é para nós hoje o remédio, depois de alguns séculos de um processo complicado de crescimento e degenerescência simultâneos?

Voltar pura e simplesmente à Idade Media?

Seria uma solução tão simplista quanto a do medico que julgasse consistir a cura do adolescente, já feito moço, em voltar aos seus 15 anos. 

É preciso curar a tuberculose, e não fazer voltar atrás os ponteiros do relógio.

E neste ponto o discurso de Pio XII (aos membros do X Congresso Internacional de Ciências Históricas, 7 de setembro de 1955) contém um princípio que domina do mais alto todo o assunto.

A doutrina do Evangelho é imutável. Mas, ao ser posta em pratica, ela deve atuar sobre inúmeras circunstâncias concretas das mais variáveis, ordenando-as, corrigindo-as, elevando-as. 

E como uma civilização católica, considerada no plano histórico, é sempre a realização dos princípios doutrinários imutáveis do Evangelho, em circunstâncias históricas mutáveis, como de outro lado a Igreja não esta vinculada senão à Revelação.

Dai decorre que Ela não Se identifica com qualquer cultura, ou qualquer civilização, por mais que lhes tenha servido de fonte de inspiração.

domingo, 18 de outubro de 2020

O imperador Constantino reconhece o Cristianismo. São Pio X: grande e portentoso evento. Absurdo do Estado laico

São Pio X recebe honras militares subindo à carruagem pontifícia de gala
São Pio X recebe honras militares subindo à carruagem pontifícia de gala
Luis Dufaur
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Para comemorar o 16º centenário do Edito de Milão do ano 313 d.C., através do qual o Imperador Constantino o Grande reconheceu oficialmente o Cristianismo em todo o Império Romano, o Papa São Pio X decretou um Jubileu universal e concedeu uma generosa Indulgência Plenária.

Na Carta Apostólica Magni Faustique (O grande e portentoso evento), aquele grande santo, Vigário de Cristo e sucessor de São Pedro ensina a razão de ser altamente desejável e benéfica do reconhecimento oficial do Catolicismo pelo Estado.

E mostra indiretamente a falsidade dos que postulam um Estado laico como sendo o ideal para a Igreja.

domingo, 11 de outubro de 2020

Quer fazer uma viagem pela gênese, desenvolvimento e glória da Civilização Cristã?


Luis Dufaur
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No auge da Idade Média, os cruzados derramaram seu sangue para libertar das mãos dos infiéis o Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo e instituir um reino cristão na Terra Santa.

Hoje a situação parece invertida. São os muros em ruínas da “cidadela cristã” que importa defender contra o neopaganismo revolucionário que as assalta.

A criança por nascer é ameaçada pelo aborto; o casamento segundo a Lei de Deus é substituído pelo “amor livre” ou o “divórcio online”; a propriedade privada amparada pelos 7º e 10º Mandamentos da Lei da Deus é golpeada pelo socialismo; a cultura católica é atropelada pela Revolução Cultural.

Em síntese, os restos da Civilização Cristã são hostilizados, proscritos, demolidos. Chega-se a pregar que os católicos devem desistir da restauração dela, pois seria um sonho impossível!

domingo, 4 de outubro de 2020

O verdadeiro nome da arquitetura gótica é ‘arquitetura cristã’

Catedral de Reims, França
Catedral de Reims, França

Luis Dufaur
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Se houvesse uma qualificação para se dar ao estudo que daremos prosseguimento, poderíamos dizer que ela se relaciona à filosofia da arquitetura.

Daniel Ramée, Viollet-Leduc e alguns outros autores especialistas mostraram como se desanuvia o fim moral e o alcance intelectual dos procedimentos técnicos, que são os meios materiais mais importantes e úteis das artes.

Contudo, ao estudarmos as condições que constituem os méritos do estilo gótico, precisamos ir além da beleza estética.

As descrições entusiásticas de nossos antigos monumentos, das visões engenhosas ou poéticas, a justa admiração das obras-primas do espírito humano são de fundo comum, estão abertas a todos aqueles que pensam, e, mesmo àqueles que se contentam em sentir vagamente tais obras; esta distinção essencial é perfeitamente enunciada na obra de Eugène Loudun:

terça-feira, 29 de setembro de 2020

São Miguel Arcanjo: Príncipe da Milícia celeste, poderoso escudo contra a ação diabólica

Luis Dufaur
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Comemora-se a 29 de setembro a festa do glorioso São Miguel, cuja invicta combatividade em defesa do Deus onipotente é assim descrita no Apocalipse:

“Houve uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos guerrearam contra o Dragão.

“O Dragão batalhou, juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado e não se encontrou mais um lugar para eles no Céu” (Apoc. 12, 7-8).

A devoção ao Príncipe das Milícias Celestes atingiu um desenvolvimento extraordinário na Idade Média. Essa forma de devoção marca ainda todas as modalidades de culto ao chefe das legiões angélicas.

Entre os inúmeros santuários a ele dedicados destaca-se o do Monte Saint-Michel uma das maravilhas do mundo.

Entretanto, ele já era reverenciado no Antigo Testamento.

O Profeta Daniel refere-se a São Miguel nos seguintes termos:

“Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande Príncipe, constituído defensor dos filhos do seu povo [isto é, o povo fiel católico, herdeiro, no Novo Testamento, do povo de Israel], e será tempo de angústia como jamais houve” (Dan. 12, 1).

domingo, 27 de setembro de 2020

Idade Média: ingenuidade
ou entendimento superior das coisas?

Luis Dufaur
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O famoso escritor e educador do século XIX Charles de Montalembert, Par da França, deixou luminosas páginas relativas à Idade Média e as deturpações dessa era histórica por parte dos autores liberais com os quais, alias, partilhava muitas ideias. Eis uma dessas páginas, por exemplo:

Na Idade Média os homens de ciência estudavam a natureza com o cuidado escrupuloso que os católicos deveriam colocar no estudo das obras de Deus.

Não faziam dela um corpo sem vida superior, nela procuravam sempre relações misteriosas com os deveres e crenças do homem remido pelo seu Salvador; viam nos costumes dos animais, nos fenômenos das plantas, no canto dos pássaros ou nas propriedades das pedras preciosas, outros tantos símbolos de verdades consagradas pela fé.

As pedantes nomenclaturas não tinham ainda invadido e conspurcado o mundo reconquistado para o Verdadeiro Deus pela Igreja.

Ia-se, na noite de Natal, anunciar às árvores das florestas a chegada do Salvador. “Aperiatur terra et germinet Salvatorem”. A terra, em retribuição deveria produzir rosas onde o homem derramasse sangue, e lírio onde caíssem lágrimas...

domingo, 20 de setembro de 2020

A Cristandade medieval instaurou a paz de Cristo na Europa

A sagração dos reis da França: um dos pontos altos da suavização dos costumes na Idade Média
A sagração dos reis da França:
um dos pontos altos da suavização dos costumes na Idade Média
Luis Dufaur
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O sistema feudal maneja toda uma sucessão de arbitragens naturais: o vassalo pode sempre recorrer de um senhor ao suserano deste último; o rei, à medida que a sua autoridade se estende, exerce cada vez mais o seu papel de mediador; o Papa, enfim, continua o árbitro supremo.

Basta, frequentemente, a reputação de justiça ou de santidade de um grande personagem para que se recorra, assim, a ele.

A Idade Média não contestou o problema da guerra em geral, mas, por uma série de soluções práticas e de medidas aplicadas no conjunto da Cristandade, restringiu sucessivamente o domínio da guerra, as crueldades da guerra, as durações da guerra. 

É assim, com leis precisas, que se edificou a Cristandade pacífica.

A primeira destas medidas foi a Paz de Deus, instaurada desde o fim o século X: é também a primeira distinção que foi feita, na história do mundo, entre o fraco e o forte é feita proibição de maltratar as mulheres, as crianças, os camponeses e os clérigos; as casas dos agricultores são declaradas invioláveis como as igrejas.

A grande glória da Idade Média é ter empreendido a educação do soldado, é ter feito do soldado da velha guarda um cavaleiro.

Aquele que se batia por amor dos grandes golpes, da violência e da pilhagem tornou-se o defensor do fraco; transformou a sua brutalidade em força útil, o seu gosto pelo risco em coragem consciente, a sua turbulência em atividade fecunda.

domingo, 13 de setembro de 2020

A Luz de Cristo nos restos de tradições medievais

Catedral de Lichfield
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Tradição vem de tradere, que é transmitir. A tradição é a transmissão que vem do passado.

Mas a tradição não é para nós o que é, por exemplo, para o índio. 

O hábito de usar cocar, aquela coisa toda, no índio é tradição. Para nós tradição não é isso só.

Pela tradição, nós recebemos no fundo da alma um lampejo da Igreja, um luzimento da Luz de Cristo, ou Lumen Christi.

A Igreja é para nós uma espécie de Céu na Terra. Olhando-a e contemplando-a, a gente se sente convidado para entrar numa espécie de Céu da alma nesta Terra.

Tudo quanto é medieval e que estava nessa linha –é a nota tônica da Idade Média – está impregnado dessa luz.

A sociedade medieval, mesmo nos seus aspectos temporais mais infimos, tocando até no prosaico, tinha algo do Céu na Terra.

Por isso uma ogiva, um vitral, uma torre de castelo, uma batalha, a armadura de um cavaleiro, etc., etc., parecem ter algo de celeste.

domingo, 6 de setembro de 2020

A “segunda Criação” obra da Igreja

A Idade Média nasceu na queda do Império Romano, de lutas de raças,  confusão de povos, violências, gemidos, corrupção e barbárie.
A Idade Média nasceu na queda do Império Romano, de lutas de raças,
confusão de povos, violências, gemidos, corrupção e barbárie.
Luis Dufaur
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“Na Idade Média há muitas coisas.

“Por um lado o isolamento das cidades, a queda de impérios, luta de raças, confusão de povos, violências, gemidos; corrupção, barbárie, instituições que caem ou ficam apenas no bosquejo; homens que vão aonde vão os povos; e povos que vão aonde outro quer e eles nem sabem; há luz apenas suficiente para ver que todas as coisas estão fora de seu lugar e que não lugar para coisa alguma: Europa é caos.

“Porém, além do caos há uma outra coisa: a presença da Igreja, Esposa imaculada de Nosso Senhor. Então, há um grande acontecimento nunca antes visto pelos povos: há uma segunda Criação operada pela Igreja.

domingo, 30 de agosto de 2020

Remédios medievais contra as bactérias modernas

Farmacêutico medieval
Farmacêutico medieval
Luis Dufaur
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A procura de uma vacina ou de um remédio para vencer a epidemia da covid-19 levou à busca das mais diversas fórmulas ou tratamentos de saúde.

E eis que uma poção para os olhos usada há 1.200 anos, portanto dos inícios da Idade Média, mostrou que pode ajudar os cientistas em sua batalha contra a resistência de bactérias a antibióticos atuais, segundo informaram jornais como “Folha de S.Paulo” e “GauchaZH”. 

Encontrada num tratado de medicina medieval, a receita foi reproduzida e testada por cientistas da Universidade de Warwick, na Inglaterra. O experimento foi publicado no Scientific Reports, da famosa revista Nature.

Feito à base de cebola, alho, vinho e sais biliares, ele é muito caseiro e se revelou seguro para as células humanas e eficaz no combate a colônias de microrganismos que funcionam como uma proteção para as bactérias, reduzindo a ação dos antibióticos atuais.

O combate ao tártaro dos dentes é um exemplo, mas há outros casos especialmente difíceis de tratar, como o de úlceras nos pés de pacientes diabéticos, em que o unguento medieval mostra sua ativa eficácia.

O bálsamo faz parte do Bald's Leechbook — ou “livro de prescrições médicas de Bald”. Trata-se de um manuscrito compilado no século IX durante as reformas educacionais do rei anglo-saxão Alfredo, o Grande.

Ele foi recuperado e testado por pesquisadores do Ancientbiotics.

domingo, 23 de agosto de 2020

Como os medievais eram sensíveis para a sublimidade

Francês medieval: modelo de generosidade e desprendimento cavalheiresco
Francês medieval: modelo de generosidade e desprendimento cavalheiresco
Luis Dufaur
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A França do tempo das Cruzadas passava por ser a nação franca por excelência.

Mas a nação franca no melhor sentido da palavra, quer dizer, generosa, desprendida, larga, cavalheiresca.

Veneza nunca foi tida como nação franca. Era uma nação mercadora.

Na Idade Média se considerava os mercadores com a sobrancelha carregada e cheio de desconfiança.

Veneza justificou muito largamente esta desconfiança!

Era uma cidade brilhante, bonita, meio impudica e pecadora e que tantas vezes traíra e iria trair o Ocidente com os seus contratos com o Oriente.

Pois tratava-se de conseguir os navios de Veneza para transportar cruzados à Terra Santa.

Foi, por ocasião da IV Cruzada, uma delegação de franceses – mas uns franceses provavelmente ainda meio alemães, e tendo o mérito e a glória de ambas as coisas somadas – chefiada por Geoffroi de Villehardouin (1150/54 –1212/18) marechal de Champagne.

Ele próprio contou como foi o desempenho da missão na crônica “Conquête de Constantinople”.

domingo, 9 de agosto de 2020

Papa Bonifácio VIII: superioridade dos Papas sobre os reis

Papa Bonifácio VIII, afresco em Anagni
Papa Bonifácio VIII formulou a “Doutrina dos dois gládios”,
afresco em Anagni
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“O Evangelho nos ensina que há na Igreja e no poder da Igreja dois gládios: o espiritual e o temporal.

Quando os Apóstolos disseram: “Temos aqui dois gládios” – aqui, isto é, na Igreja – o Senhor não respondeu: “É demasiado”. Pelo contrário, respondeu: “isto basta”.

“Por certo, aquele que nega que o gládio temporal esteja no poder de Pedro, desconhece a palavra do Senhor que disse: “Recoloca tua espada na bainha”.

“Portanto, um e outro gládio estão no poder da igreja, o espiritual e o temporal; mas este deve ser tirado para a Igreja, aquele pela Igreja; um pela mão do sacerdote, o outro pela mão dos reis e dos soldados, mas com o consentimento e o beneplácito do sacerdote.

“Contudo, é preciso que o gládio esteja subordinado ao gládio; a autoridade temporal ao poder espiritual, porquanto diz o Apóstolo:

domingo, 2 de agosto de 2020

A sabedoria medieval na ponta dos dedos

Contar com os dedos de 1 a 20.000, de 'De numeris'. Codex alcobacense, por Rabanus Maurus (780-856)
Contar com os dedos de 1 a 20.000, de 'De numeris'.
Codex alcobacense, por Rabanus Maurus (780-856)
Luis Dufaur
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A queda do Império Romano deixou a Europa e boa parte do Oriente Próximo submersos no mais generalizado analfabetismo.

Porque nesse Império, tão grande sob os pontos de vista cultural, jurídico e administrativo, tão elogiado hoje, a imensa maioria dos homens era de escravos.

Apenas as classes altas que dirigiam a sociedade e os exércitos haviam recebido instrução, por vezes aprimorada. Mas essas categorias cultas pereceram ou desapareceram nas invasões dos bárbaros.

Os bárbaros – tal vez feitas algumas exceções – acrescentaram o próprio deles: a barbárie!

Foi o trabalho santo, heroico e paciente da Igreja, notadamente suas escolas monacais, episcopais ou paroquiais que foram tirando Europa da noite da ignorância até transforma-la num farol de cultura universal.

domingo, 26 de julho de 2020

São Silvestre I: tirou a Igreja das catacumbas e a fez pomposa e soberana

São Silvestre I, (280-335 d.C.)
São Silvestre I, (280-335 d.C.)
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: São Silvestre I, o primeiro Papa-rei de Roma




O princípio da constantinização é duplo:

Primeiro, de ordem política. Esse princípio parte do reconhecimento de que a Igreja Católica é a única verdadeira.

E é fácil de perceber que Ela é a única Igreja verdadeira; todo homem que pode conhecer a Igreja e não adere, é culpado.

E a Igreja deve do Estado, a proteção e o apoio, o respeito e as honras que se tributam ao que é divino.

A Igreja é uma entidade mais nobre e poderosa do que o Estado na ordem profunda das coisas, porque Ela é divina.

Daí então a famosa comparação de São Gregório VII: a Igreja é como o sol, e o Estado é como a lua.

A lua recebe a sua luz do sol e o Estado recebia todo o seu lume da Igreja.

Segundo, as coisas esplêndidas e magníficas da terra foram feitas sobretudo para o culto de Deus, e não sobretudo para o uso do homem.

De maneira que os incensos mais magníficos, os tecidos mais estupendos, o ouro mais puro, a prata mais refinada, os materiais mais luxuosos devem ser extraídos da terra pelo homem.

Mas, antes de se destinarem ao adorno da vida humana, destinam-se ao serviço de Deus.

domingo, 19 de julho de 2020

São Silvestre I, o primeiro Papa-rei de Roma

Sob São Silvestre I a Igreja saiu do opróbio persecutório  do tempo das catacumbas. Catedral Notre Dame de Paris
Sob São Silvestre I a Igreja saiu do opróbrio persecutório
do tempo das catacumbas. Catedral Notre Dame de Paris
Luis Dufaur
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Dom Prosper Guéranger OSB (1805-1875), refundador da Abadia de Solesmes, escreveu em sua célebre obra L’Année Liturgique um grande elogio de São Silvestre I Papa (280-335), na qual, entre outras coisas, ele diz:

“Era justo, então, que a Santa Igreja, para reunir nessa oitava triunfante todas as glórias do céu e da terra, inscrevesse nesses dias, o nome de um santo confessor que representasse todos os confessores.

“Este é São Silvestre, esposo da Santa Igreja Romana e, por ela, da Igreja Universal.

“Um pontífice de reinado longo e pacífico, um servidor de Cristo ornado de todas as virtudes, e dado ao mundo após esses combates furiosos que tinham durado três séculos, nos quais triunfaram pelo martírio milhares de cristãos sob a direção de numerosos papas, mártires predecessores de Silvestre.

“Silvestre anuncia também a paz que Cristo veio trazer ao mundo e que os anjos cantaram em Belém.

domingo, 12 de julho de 2020

O mistério do 'cavaleiro verde'

Batalha de Tiro, 1187. 'Les Passages d'Outremer'. Foto Wikipedia
O 'Cavaleiro Verde' na batalha de Tiro, 1187. 'Les Passages d'Outremer'. Foto Wikipedia
Luis Dufaur
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Mais de 900 anos atrás, lutou na Terra Santa um cavaleiro espanhol de nome Sancho Martín.

Pelos seus atos corajosos e suas roupas de cor marcante, os turcos o apelidaram de O Cavaleiro Verde.

A não confundir com o personagem fictício “Green Knight” do poema do Rei Arturo.

Agora, o livro “El Caballero Verde” com sua curta história, ganhou o Prêmio Narrativo da Cidade de Logroño, segundo noticiou o jornal espanhol “El Mundo”.

E aí começa o mistério. As fontes históricas de época alguma não sabem dizer quem foi Sancho Martín.

Tal vez foi aragonês, navarro ou castelhano, pelo nome Sancho. As fontes árabes lhe atribuem origem em Castela, mas não se pode ter certeza.

Apareceu em Terra Santa, no início da Terceira Cruzada, após a perda de Jerusalém (1187) e quando só ficavam poucos enclaves cristãos na costa da Síria.

Tudo parecia perdido para os seguidores de Cristo, quando desceu de um navio um cavaleiro de bravura e liderança inigualada. Ele vestia todo de verde e ostentava uma cornadura de cervo em seu capacete.

domingo, 5 de julho de 2020

Por quê decaiu a Idade Média?


Luis Dufaur
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No século XIV começa a observar-se, na Europa cristã, uma transformação de mentalidade que ao longo do século XV cresce cada vez mais em nitidez.

O apetite dos prazeres terrenos se vai transformando em ânsia.

As diversões se vão tornando mais freqüentes e mais suntuosas. Os homens se preocupam sempre mais com elas.

Nos trajes, nas maneiras, na linguagem, na literatura e na arte o anelo crescente por uma vida cheia de deleites da fantasia e dos sentidos vai produzindo progressivas manifestações de sensualidade e moleza.

Há um paulatino deperecimento da seriedade e da austeridade dos antigos tempos. Tudo tende ao risonho, ao gracioso, ao festivo.

domingo, 28 de junho de 2020

O Mont Saint-Michel em seu sacral e sublime isolamento


Luis Dufaur
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O monte Saint-Michel na Idade Média era chamado Saint-Michel du Mont du Péril: São Miguel do Monte do Perigo.

Sua agulha toca o Céu.

Rodeiam-na areias movediças e marés furiosas que sobem metros e em instantes engolem os viajantes.

O mosteiro era tido residência do próprio São Miguel Arcanjo.

domingo, 21 de junho de 2020

São Domingos fundou a Inquisição?


Luis Dufaur
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Um conhecido escritor agnóstico dizia que as cruzadas contra os albigenses e o extermínio dos focos heréticos no sul da França atrasaram de alguns séculos o advento do humanismo renascentista e da nova ordem de coisas que seria instaurada no mundo.

Maior elogio não poderia ser feito àqueles que, como São Domingos, contribuíram para livrar a Cristandade daquele flagelo.

É oportuno lembrar um aspecto frequentemente deformado da personalidade do fundador da Ordem dos Pregadores, em cujos membros, ao aprovar a nova regra, o Papa Honório III, em palavras proféticas, entreviu "futuros atletas da fé e verdadeiros luzeiros do mundo".

Queremos nos referir ao aspecto combativo da vida desse insigne santo e ao apoio dado por ele e por seus filhos à Santa Sé na repressão das heresias, pois se acha neste concurso prestado pelo piedoso apóstolo do Rosário à defesa da Verdade a principal origem das incompreensões e das injustiças que sofre por parte de muitos de seus inimigos.

domingo, 7 de junho de 2020

A espada: símbolo de heroísmo e pompa

Espada de Sancho IV de Castela, 1295
Espada de Sancho IV de Castela, 1295
Luis Dufaur
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Hoje em dia a espada está completamente superada como arma de guerra, e nem pode entrar em cogitação a ideia de afiar uma espada para entrar em combate.

Atualmente ela não é arma de guerra nem para a agressão nem para a defesa.

Pode-se dizer que está praticamente cancelada da lista dos armamentos modernos.

Entretanto, apesar desse fato, em todos os exércitos dos países civilizados os oficiais a trazem consigo nas ocasiões de grande solenidade.

Numa época em que o desaparecimento da espada como arma chega ao seu auge, como símbolo ela ainda é tal, que não se compreende um oficial sem a sua espada.

Por outro lado, em vários países existem Academias de Letras nas quais se usam fardões, e os acadêmicos, nas ocasiões de pompa, portam a espada.

No momento em que o literato chega ao auge de sua glória e é proclamado "imortal" -- da mais mortal das imortalidades -- não lhe dão uma grande pena para usá-la como simbólico adorno, pois ficaria uma tralha ridícula. Ele sente-se inibido se não tiver uma espada. De maneira que o literato envergando o fardão, usa a espada.

domingo, 31 de maio de 2020

Templários: fé, prudência e bravura
ensinadas por São Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval. Santuário de Lourdes
São Bernardo de Claraval. Santuário de Lourdes
Luis Dufaur
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O grande paladino de Nossa Senhora, São Bernardo abade de Claraval, falou sobre a vida que devem levar aqueles que combatem por Jesus Cristo, com estas palavras:

“Quando se aproxima a hora do combate, armam-se de fé os cavaleiros, abrem-se a Deus em sua alma e cobrem-se, por fora, de ferro, não de ouro, a fim de que assim sejam bem apercebidos de armas, não adornados com joias, infundam medo e pavor aos seus inimigos, sem excitar sua cobiça.”

Aqui a gente vê a prudência do santo. No tempo da guerra medieval muitos cavaleiros tomados por um certo mundanismo que invadia o ambiente da Cavalaria, gostavam de se apresentar com couraças de ouro ou prata, recamadas de pedras preciosas.

Agora, acontece que o ouro e a prata oferecem ao adversário um obstáculo muito menos forte do que o ferro.

domingo, 24 de maio de 2020

Super-combatividade e confiança em Nossa Senhora: virtudes do Cavaleiro Templário segundo São Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval, Heiligenkreuz, Austria, ©Georges Jansoone
São Bernardo, abade de Claraval, Heiligenkreuz, Áustria
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São Bernardo instituiu a regra da Ordem dos Cavaleiros Templários.

Era uma ordem militar de cavaleiros religiosos, com tríplice voto: da pobreza, da castidade e da obediência. Eles viviam no estado militar para a luta contra os infiéis.

São Bernardo então deu-lhes uma teoria da combatividade:

“E assim os cavaleiros carregam como um torvelinho sobre seus adversários, como se se metessem entre um rebanho de cordeiros, sem que, apesar de seu exíguo número, se intimidem ante crudelíssima barbárie e a multidão quase infinita das hostes contrárias.

“Aprenderam já a pôr toda a sua confiança não nas próprias forças, mas no poder do Senhor Deus dos exércitos, em que está a vitória, O qual pode, como sabemos por meio dos Macabeus, pode facilmente por meio de um punhado de valentes, acabar com multidões numerosas.

“E sabe libertar a seus soldados com igual arte das mãos de poucos como de muitos inimigos, porque não está o triunfo na multidão de guerreiro, mas na fortaleza para vencer, que desce do alto”.

domingo, 17 de maio de 2020

Santa Sé absolveu os Templários, ordem que está nas origens do Brasil


Luis Dufaur
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A Santa Sé anunciou a publicação de um documento pontifício que absolve a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou Templários, dos cargos que lhe foram imputados.

Esta ordem militar de cavalaria foi fundada em Jerusalém em 1118, nos tempos das Cruzadas, por Hugo de Payens e Geoffroy de Saint-Omer e companheiros.

Ela protegia os peregrinos que iam a Terra Santa.

domingo, 10 de maio de 2020

Tratado médico medieval inspira combate às epidemias

Atenção aos enfermos na Idade Média
Atendimento dos enfermos na Idade Média
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Os princípios gerais de combate às epidemias foram elaborados na Idade Média, como bem demonstra o Regimento de preservação da pestilência, do século XIV.

Ele compendia medidas, remédios e tratamentos para prevenir o contágio que estão sendo utilizados hoje na luta contra o coronavírus.

Esse tratado foi composto pelo mestre em Arts i Medicina Jaime d’Agramont, catedrático de Medicina da Universidade Estudi General de Lérida, em face da violenta epidemia chamada Peste Negra, lembrou o jornal “La Vanguardia”, reproduzido por “Clarín”.

domingo, 3 de maio de 2020

Simbolismo medieval da nave:
Arca da Salvação, maternidade da Igreja


Luis Dufaur
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O nártex (vestíbulo sob o coro) logo na entrada da igreja é o primeiro espaço sagrado da casa de Deus.

Também é conhecido como galilé, porque dali parte a procissão que, no início da Missa, dirige-se até o altar, simbolizando a jornada de Cristo desde a Galiléia até Jerusalém, rumo ao sacrifício do Calvário.

No nártex, a água benta lembra o batismo, a necessidade do perdão dos pecados, e tem efeito exorcístico sobre o demônio e as tentações.

A nave encarna a “Arca de Salvação”.

A Igreja, Ela própria, é essa arca, a Barca de Pedro.

Simboliza também o seio materno, pois a Igreja gera as almas para o Céu.